A coisa mais importante que a Frieda me ensinou

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Frieda, durante sua primeira crise de coluna, sendo levada para casa porque não conseguia andar.

Eu descobri que não é todo o mundo que é assim, mas eu tenho um amor descontrolado por animais. Achei que era normal, depois descobri que, apesar de não ser anormal, não é unanimidade. Se tivesse parado para pensar antes, chegaria a essa conclusão óbvia, mas não parei.
Bom, mas eu sou dessas pessoas que ama animais. Sento no chão para brincar com eles, largo tudo para passar um tempo com os bichinhos e, obviamente, são os primeiros que cumprimento quando chego à casa de alguém.
Antes de ter a Jaya, queria ter qualquer cachorro. Qualquer um. Podia ser cego, pelado, com 3 patas, tudo junto, mas eu precisava de um cachorro. É engraçado, nunca senti a necessidade de ter filhos, nunca foi uma vocação minha. Mas animais, especialmente cães, sou doente por eles.
E daí veio a Jaya na minha vida. E tudo fez sentido, e tudo ficou colorido! A Jaya é um ser humano de 4 patas. Comunicativa, inteligente, educada, linda… Tudo o que eu poderia sonhar de melhor no mundo!
Mas o tempo vai passando e a gente sabe que, injustamente, os cachorros duram menos tempo que os seres humanos. E cães de grande porte vivem bem menos do que os cães menores como via de regra. E quando a Jaya fez 7 anos, apesar de eu e o De já não estarmos mais casados, decidimos, juntos, adotar a Frieda. Eu sempre penso que, se a gente deixa um bichinho morrer para depois adotar outro, é um processo muito mais dolorido para nós. Além disso, seria muito mais fácil a Jaya educar a Frieda do que nós o fazermos.
Assim sendo, procuramos o melhor canil (eu sou suuuuper a favor de vira-latas, já adotamos alguns na rua e ajudamos amigos a manter alguns outros) de Weimaraners que pudemos encontrar e fomos visitar. Daí na altura certa, fomos buscar a Frieda.
Ela era liiiinda e era uma peste! E o processo de educar um cãozinho começou todo de novo. E foi demais, como foi da primeira vez.
Porém, não sabemos se por sorte ou por azar, a Frieda veio com alguns defeitos de fábrica bem sérios. Com 6 meses de idade ela teve uma crise de coluna muito séria e até descobrir o que era, afinal cachorro não fala para nos contar o que está sentindo, sofremos demais, eu e ela. Ela de dor e eu por não saber o que ela tinha nem se ela continuaria viva ou não. Então ela foi diagnosticada com Síndrome de Wobbler. Uma má formação na sua coluna, que possui diversos graus e pode levar à paralisia. Depois disso, ainda descobrimos que ela tem complicações na bexiga, que já foi operada, e nos rins. Muito azar para uma cachorrinha só. Porém, o outro lado da moeda é: imagina se uma pessoa com menos amor ou menos condições financeiras tivesse ficado com a Frieda? Portanto não dá para saber até onde termina o azar e começa a sorte…
Nesse momento de sofrimento, fui conversar com minha aluna e amiga Maisi, que faz um trabalho muito bonito pegando cachorros na rua, normalmente aqueles que ninguém pega, e dando todo o amor e cuidado que esses bichinhos precisam.
E foi aí que a Frieda, pelas palavras da Maisi me ensinou uma das coisas mais importantes da minha vida. Ela disse: Fe, quando eles não têm dor eles estão tão felizes. Eles brincam, pulam, se divertem. Eles não estão pensando que a qualquer momento podem ficar sem andar ou que podem amanhã ou depois ter uma crise. Eles vivem o aqui e agora e isso os faz feliz. Você não tem como saber o que vai ser do futuro dela, então relaxa e aproveita.
E foi assim que a Frieda conseguiu que eu nunca ficasse brava de verdade com ela. Posso até ter dado bronca quando ela comeu meus tênis novos, posso ter brigado quando acordei no meio da noite com um vaso de oréganos na minha cama ou, quando a deixei sozinha para ir no mercado e, 40 minutos depois, cheguei em casa e a cama de bolinhas de isopor tinha sido rasgada e a sala estava coberta de isopor. Dei bronca para educar, mas a Terezinha, quando eu mandei a foto do estrago, me perguntou: Você ficou brava de verdade? e eu disse: Não!

Se você tem bichinhos de estimação, veja esta dica, que importante!

4 Comments

  1. Me reconheço nas tuas palavras, Fê. O amor que sinto por animais é tão forte que às vezes parece que não cabe no meu peito. Eu aprendo muito com eles… todos os dias. Somos sortudas, muito sortudas por termos essa oportunidade de cuidar e amar, e de receber esse carinho de volta. Minha turma está ficando velhinha e do ano passado para cá já perdi 3 dos meus 11 companheirinhos. Quando olho as fotinhos deles, mesmo que exista a dor da ausência, o sorriso pelas lembranças boas e aquele sentimento quentinho no coração do amor que só eles sabem trazer vale por tudo!

  2. Esses nossos anjos peludos nos ensinam muito! E sei bem o que é isso Fê! A Mel ta passando por uma fase bem complicada de muita superação. No início do tratamento dela, eu ficava muito preocupada e a veterinária me disse que o grande diferencial do cachorro, é que eles não sabem que estão com a doença e muito menos a gravidade dela. E a Mel, a cada sessão de quimioterapia era como se nao tivesse feito nada! Parecia que estava até mais forte! Mas esse processo tem muitos altos e baixos e cada dia é um dia! E realmente quando ela está muito quieta eu estranho muito, dá pra saber no olhar deles quando algo não está bem!
    E realmente quanto aos custos são realmente altos e agradeço todos os dias por ela fazer parte da nossa família, as vezes penso não sei como vou pagar isso… mas sei que a solução vem de alguma forma…
    Acho que cada cão entra na casa de cada um para ensinar uma lição nem que seja Amar ainda mais!
    Quando vejo você e a Jaya fico tão feliz e me imagino com a Mel em Portugal realizando nosso sonho de morar lá.
    Bjosss enorme

    • Ah Fla, você não imagina como fiquei feliz em ler seu comentário… estou passando exatamente por esse momento com a Jaya e agradeço todos os dias por a ter aqui comigo. E aproveito o máximo que posso cada segundo com ela…
      Espero que vcs continuem sendo muuuuito felizes <3

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